terça-feira, 3 de julho de 2012

Considerações finais e Seleção da Eurocopa 2012

Muitos dizem que a Eurocopa é uma Copa do Mundo sem Argentina e Brasil - acrescentaria aí a ausência uruguaia, que atravessa momento especial como melhor seleção do continente tanto no Mundial-2010 quanto na Copa América-2011.

O fato é que a Euro trata-se de um torneio fortíssimo, onde a aparentemente simples tarefa de avançar da fase de grupos pode ter complicações - vide exemplos das fortes seleções da Rússia (que caiu num grupo teoricamente equilibrado) e da Holanda (integrante mais uma vez do dito "grupo da morte").

Poderíamos até ir além, pois para marcar presença na Euro faz-se preciso enfrentar adversários qualificados nas Eliminatórias. Em 2008, a Inglaterra sentiu isso. Em 2012, algumas seleções européias que estavam na África do Sul dois anos atrás não conseguiram vaga para o torneio na Polônia e na Ucrânia.

Dá para afirmar com todas as letras que Argentina, Brasil, Uruguai nem ninguém fez falta a esse torneio de alto nível. É claro que um Lionel Messi desfilando o seu talento é sempre bem-vindo a qualquer competição. E aposto que o genial argentino do Barcelona bateu palmas para o potente jogo coletivo espanhol.

Enfim, após assistir 26 dos 31 jogos disputados, digo que o saldo da Euro-2012 foi altamente positivo. A Espanha voltou a encantar através de um futebol de toque de bola preciso e marcação forte, impondo seu estilo de jogo pra cima de todos os adversários que cruzaram seu caminho. A Itália mostrou não se abalar com as crises extra-campo e teve como principal atuação a vista na fase quartas-de-final, diante de uma retraída Inglaterra (no geral, porém, achei a campanha italiana menos positiva do que muitos apontam, notadamente pelo caráter defensivista na formação de Cesare Prandelli). A Alemanha, como de hábito nesse belo trabalho de Joachim Löw, apresentou um jogo ofensivo e dinâmico, com destaque para a vitória sobre a Grécia na fase quartas-de-final, quando o técnico "apostou" em elementos de ataque que não vinham sendo usados na fase de grupos. Portugal, forte fisicamente e com marcação altamente competitiva, não apenas sobreviveu ao dificílimo grupo B como mostrou autoridade na vitória sobre os tchecos na fase quartas-de-final e conseguiu levar a partida diante da Espanha até a disputa por penalidades - a trinca de meio-campistas portugueses formada por Miguel Veloso, João Moutinho e Raul Meireles foi particularmente interessante.

Vamos à seleção da Eurocopa 2012, que utiliza como critério o número de boas atuações do jogador e a questão da regularidade (é preferível atuar bem duas vezes num universo de três jogos do que as mesmas duas vezes em seis jogos, por exemplo).

Seleção da Eurocopa 2012

Goleiro: Iker Casillas (Espanha)
Lateral-direito: Darijo Srna (Croácia)
Zagueiro: Sergio Ramos (Espanha)
Zagueiro: Giorgio Chiellini (Itália)
Lateral-esquerdo: Jordi Alba (Espanha)
Volante: Andrea Pirlo (Itália)
Volante: Sami Khedira (Alemanha)
Meia: Xavi Hernández (Espanha)
Meia: Andrés Iniesta (Espanha)
Atacante: Mario Mandzukic (Croácia)
Atacante: Fernando Torres (Espanha)
Técnico: Slaven Bilic (Croácia)

Suplentes

Goleiro: Gianluigi Buffon (Itália)
Lateral-direito: Álvaro Arbeloa (Espanha)
Zagueiro: Mats Hummels (Alemanha)
Zagueiro: Gerard Piqué (Espanha)
Lateral-esquerdo: Philipp Lahm (Alemanha)
Volante: Sergio Busquets (Espanha)
Volante: Raul Meireles (Portugal)
Meia: Luka Modric (Croácia)
Meia: Petr Jiracek (República Tcheca)
Atacante: Francesc Fàbregas (Espanha)
Atacante: Antonio Cassano (Itália)
Técnico: Vicente del Bosque (Espanha)

Destaque

Nenhum gol marcado nos seis jogos da campanha triunfal espanhola. Mas nem precisava: com sua visão de jogo diferenciada, sua precisão de passe notável, sua capacidade impressionante de infiltrar na defesa adversária e, talvez principalmente, o seu poder de ditar o ritmo da partida, Andrés Iniesta foi elemento essencial para o sucesso do jogo coletivo espanhol.

Esse brilhante meio-campista de vinte e oito anos, gigante com seus cento e setenta centímetros de estatura, colaborou estatisticamente com duas assistências para gol (uma para David Silva marcar 2x0 diante da Irlanda e uma para Jesús Navas empurrar para a rede no final de um jogo disputadíssimo com a Croácia). Só que não devemos limitar a análise do futebol de Iniesta por esses números frios: seu futebol é quente, de dar dor-de-cabeça em qualquer sistema defensivo que cruze seu caminho, e seu desempenho é um dos termômetros da seleção espanhola, que, se goza de boa saúde, tem muito a agradecer a Iniesta.

Andrés Iniesta em ação na Eurocopa-2012: jogador espanhol esbanja capacidade criativa e é elemento fundamental para fazer fluir o futebol de uma seleção encantadora, merecidamente campeã no torneio continental.

2 comentários:

  1. A seleção da Espanha dominou a lista dos melhores da Eurocopa e o Iniesta é mesmo um grande jogador. Cria do Barça tem enorme capacidade e visão de jogo, coisa que falta no Ganso, por exemplo. Esse sim é o cérebro da equipe.

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  2. Um grande campeonato que se encerrou, com grandes equipes jogando e também com seleções menos badaladas mostrando sua força. No fim, Holanda saiu cedo demais, Alemanha novamente parou nas semi-final (assim como na Copa de 2006, também para a Itália, e 2010) e Espanha campeã sobre uma Itália que superou seus limites.

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