Olhar tático: Sobriedade corintiana mostra força na caminhada ao título


Corinthians e Santos. Semi-final da Libertadores. O atual campeão da competição que possui a estrela do futebol brasileiro atualmente de um lado. Do outro lado o time que levou o Brasileirão passado, mas que tem um fantasma com a Libertadores inacreditável.

Vocês devem lembrar do Palmeiras de 1999 e 2000, não é? Em 1999 o Verdão ganhou a Libertadores depois de eliminar o Corinthians nas quartas-de-finais. Em 2000 o mesmo Palmeiras foi vice-campeão, mas  já tinha derrubado o Timão na semi-final. Está fresco nas nossas mentes o Corinthians de 2010 que caiu daquela forma diante do Flamengo de Adriano e Love. E no ano passado o pior dos vexames: eliminado na pré-Libertadores para o Tolima.

Esses são alguns dos fracassos do Corinthians na competição continental. Esse clube, tão grandioso como é, faz da Libertadores o maior monstro da sua história. Tite, porém, parece ter aprendido com o fracasso do ano passado. Se vocês lembram virou crise aquilo lá. Mas o Corinthians deu a volta por cima, cresceu dentro de campo e levou o penta no fim do ano. 

Mas a evolução corintiana não foi só dentro de campo. A equipe parece mais preparada para a Libertadores. Antes do Santos o Corinthians teve um duelo duríssimo contra o Vasco em que decidiu um jogo, muito equilibrado, aos 42 minutos do segundo tempo. O Corinthians de outros tempos jamais faria isso! Jamais teria essa postura.

Ontem, diante do Santos, voltou a ter. Entrou em campo de cabeça erguida e com o bom futebol que havia destacado a equipe em 2011. Tite foi inteligente ao travar a equipe sem apelar para a retranca.

Equipes no 4-2-3-1; Corinthians fechado com marcação por pressão e contra-atacando pela esquerda com Emerson; Santos lento e encurralado pela excelente marcação corintiana.

Tite cumpriu o que prometera e trouxe o Corinthians fechado com marcação cerrada pra cima do Santos.  Mas a solidariedade do Timão era visível: todos ajudavam na marcação e todos atacavam. Armado em um 4-2-3-1 versátil, o alvinegro corintiano tinha Jorge Henrique na ponta direita acompanhando o camisa 16 do Santos sem ceder espaços. Pela esquerda Emerson ajudava na marcação e, principalmente, puxa os contragolpes.

No meio, Alex e Danilo invertiam o comando do ataque (como 'falso-nove') e a ligação no meio de campo. Paulinho combateu com Arouca todo jogo, sempre levando vantagem em cima do volante santista tanto na marcação quanto nas saídas em velocidade, como na jogada do golaço de Emerson.

Na falta de velocidade de Elano, Ganso, Kardec e no apagão de Neymar, restava a Muricy mexer. Saiu Elano, entrou Borges. Com maior presença de área o Santos tentou pressionar no segundo tempo, mas não era só a tática de Tite que travava o Santos... o goleirão Cássio também. O gigante de 1,95 pegava tudo. Borges, Durval e Juan tentaram, mas nada passava pelo arqueiro corintiano.

Neymar tentava, mas não conseguia. O jovem craque foi, ainda, um dos santistas que mais lutou, mas mesmo assim passou longe de ser o jogador decisivo que costuma ser. Mesmo sem brilho Neymar botou fogo no jogo.

Depois de dar entrada dura em Leandro Castán, o clima esquentou e o camisa 11 levou cartão amarelo. Poucos minutos depois cavou a expulsão de Emerson. Isso foi suficiente para o Santos partir pra cima e a Vila vira um caldeirão. O apagão no estádio que deixou o jogo parado por 18 minutos impediu o Santos de reagir e, provavelmente, Neymar de ser expulso.

Santos no 4-3-3 (com as trocas de Elano e Adriano por Borges e Felipe Anderson respectivamente) partindo para cima em busca do empate; Corinthians se segurando atrás num 4-2-3 com Jorge Henrique e Danilo abertos tentando segurar os laterais santistas.

O Corinthians com autoridade de mandante e com sobriedade que outrora não possuía ganhou do Santos e está com meio passo à frente do rival. Será agora? A postura corintiana merece isso. Título é uma outra história, mas a vaga na final está bem próxima.

Por causa de 1x0? Não. Por causa de uma fraqueza que o Santos mostrou contra o Velez e por causa da boa atitude do Timão! 

PS: A coluna "Olhar tático" está de volta. Passei um tempo afastado do meu blog pessoal, Toque de Bola e também do FC Gols, mas agora estou de volta. Tanto por aqui quanto no Toque de Bola.

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3 comentários:

  1. Olha Luiz, a vitória também se deve ao fato de que o Santos jogou sem vontade. O Elano jogou muito mal, errando todos os cruzamentos, o Neymar pouco criou, nem tentou passar pela defesa corinthiana. Vale lembrar também que Henrique falhou feio no gol, pois deixou Sheik livre para fazer o gol.

    Que bom que você voltou, e espero que dessa vez fique. =D

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  2. Creio que o Santos dançou, com Neymar e tudo, diante da regularidade corintiana. Corro o risco de queimar a língua, mas já aposto no Boca como campeão, mesmo sem um grandíssimo time.

    Saudações!!!

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  3. O Corinthians agora aprece estar maduro para ganhar um competição como Libertadores. O time vem crescendo, mostrando um jogo coletivo muito bom que levou o Brasileiro do ano passado e pode levar esta Libertadores.

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