segunda-feira, 18 de junho de 2012

No sufoco, Espanha vence Croácia, avança em 1º e ajuda Itália


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Em Gdansk, cidade polonesa banhada pelo mar Báltico, Croácia e Espanha travaram duelo equilibrado, válido pela última rodada no grupo C da Eurocopa 2012. Pelo desenrolar dos acontecimentos, dá até para afirmar que a seleção croata esteve próxima da vitória e da classificação, mas uma defesa salvadora de Iker Casillas aos 13 minutos do segundo tempo e um gol de Jesús Navas 29 minutos mais tarde foram determinantes para garantir o triunfo espanhol por 1x0. Isso sem falar no árbitro alemão Wolfgang Stark, que ignorou duas infrações dentro da área defendida pela Espanha - a última delas aos 40 minutos da etapa complementar.

Com esse resultado combinado ao da cidade de Poznan (onde a Itália venceu a Irlanda por 2x0, gols de Antonio Cassano e Mario Balotelli), a Espanha avança em primeiro lugar e a Itália na segunda colocação, deixando para trás a terceira colocada Croácia e a lanterna Irlanda.

Se por um lado o espanhol Vicente del Bosque repetiu a escalação inicial vista na segunda rodada, por outro o croata Slaven Bilic preparou alterações na equipe titular. O selecionado croata foi a campo com Damagoj Vida (atuando na lateral-direita) e Danijel Pranjic (posicionado no flanco esquerdo da linha de meio-campistas), levando Ivan Perisic e Nikica Jelavic para o banco de reservas. Desta forma, a Croácia ganhava poder de marcação, numa formação onde Darijo Srna tinha mais liberdade pela direita ao mesmo tempo que fortalecia a marcação por aquele setor, auxiliado por Vida - lá na frente, o goleador Mario Mandzukic perdeu a companhia de Jelavic, mas contou com constantes aproximações do ótimo meia Luka Modric, um dos melhores jogadores em campo.

E o esquema traçado por Bilic parecia funcionar: nos primeiros minutos, era notória a dificuldade espanhola em desenvolver seu jogo de toque de bola no campo ofensivo. Por mais que a equipe detivesse sob seus domínios cerca de 3/4 do tempo de posse de bola, as jogadas de infiltração eram raras. A primeira grande defesa do belo goleiro Stipe Pletikosa ocorreu aos vinte e dois minutos, rebatendo com o joelho esquerdo uma finalização de Fernando Torres, que estava próximo à linha-de-fundo pelo lado direito no momento do remate de três dedos. As tentativas dos zagueiros Gerard Piqué e Sergio Ramos em chutes de longa distância demonstravam o quanto estava complicado para a Espanha tentar se aproximar do gol através do seu jeito preferido, quer dizer, tocando a bola.

O placar de 0x0 classificava ambas seleções até então, mas não mais a partir do momento em que, aos 34 minutos de jogo em Poznan, Cassano marcava 1x0 para a Itália diante da Irlanda. Verdan Corluka e Gordon Schildenfeld tinham ótima performance no miolo de defesa croata, inibindo a maioria das investidas espanholas - que não eram poucas, notadamente quando Xavi Hernández buscava Torres. E a proteção era ainda mais fortalecida dada a atenção e agilidade de Pletikosa, que conseguia intervir no momento certo para recolher as bolas que eventualmente chegassem. Mas não bastava se defender da melhor seleção de futebol na atualidade - era preciso atacar para se classificar. E os croatas chegaram perto do gol aos treze minutos do segundo tempo: pela direita, Modric descolou lindo passe de trivela e encontrou Ivan Rakitic absolutamente livre de marcação, passando nas costas de Xabi Alonso. Rakitic cabeceou à meia-altura e parou em defesa salvadora de Casillas, que espalmou do jeito que dava.

Del Bosque realizou a primeira substituição na partida aos quinze, trocando Torres por Jesús Navas, intensificando a tentativa de penetrar na defesa pelos flancos do gramado. Aos vinte, Bilic soltou mais a equipe com uma dupla substituição: saíram Vida e Pranjic, entraram Perisic e Jelavic. Três minutos após a mexida, um cruzamento de Perisic pela esquerda quase foi alcançado por Jelavic na tentativa de cabeceio, mostrando que a alteração já esboçava resultados práticos. Aos vinte e sete, Del Bosque trocou David Silva por Francesc Fàbregas, naquela que era a segunda alteração espanhola num jogo onde a Croácia subia de produção no ataque sem se tornar mais vulnerável na defesa.

Cesc Fàbregas era acionado no comando de ataque, atuando centralizado. Mas a Espanha tinha dificuldades no momento de definir o lance - seja no momento do "último passe", seja na hora da finalização propriamente dita. Mesmo sem o resultado que a interessava, a Croácia tornava o jogo mais vistoso aos trinta e quatro minutos, quando Mandzukic recebeu a bola pela direita e passou os pés sobre a redonda em movimento típico daqueles jogadores insinuantes, como os brasileiros Neymar e Robinho - e olha que estamos falando aqui de um centroavante goleador, de boa estatura e presença de área. No minuto seguinte à jogada de efeito de Mandzukic, Bilic ousou na substituição derradeira: tirou o volante Ognjen Vukojevic e colocou o atacante carioca Eduardo da Silva.

O jogo estava totalmente em aberto e chances de gol foram aparecendo. A Espanha chegou com Andrés Iniesta aos trinta e oito e com Navas aos trinta e nove minutos - em ambos os lances, Pletikosa rebateu o remate. Aos quarenta, foi a vez da Croácia: Rakitic cobrou fechado um escanteio pela esquerda e a bola viajou na direção de Corluka, que foi puxado pela camisa por Sergio Busquets na disputa aérea, em pênalti não assinalado por Stark (na primeira etapa, o alemão não marcou sequer jogo perigoso quando Ramos deu carrinho esticando e levantando a perna em disputa com Mandzukic, também dentro da área).

Aos quarenta e dois, saiu o gol da Espanha: Fàbregas deu bela enfiada de bola para Iniesta que, em posição legal, dominou entre o peito e o ombro e serviu Navas com um toque de lado, deixando o companheiro numa boa para a conclusão. E ele concluiu para a rede, naquele que era o 0x0 mais persistente num jogo nessa Euro 2012.

No minuto posterior, teve vez a última substituição no jogo: saiu Xavi, entrou Álvaro Negredo. A Itália marcava 2x0 sobre a Irlanda (gol de Balotelli) e a Croácia precisava de um único gol para retomar a segunda posição no grupo C e se classificar para a fase quartas-de-final. Numa das últimas cartadas, até Pletikosa se mandou para a área adversária na esperança do lance de bola parada. Mas a vitória espanhola se concretizou, para alegria dos italianos e tristeza da valente seleção croata, eliminada na fase de grupos com uma participação maiúscula no torneio continental.

Outros jogos

Ontem, pelo grupo B - o mais forte nessa edição de Eurocopa -, a Alemanha confirmou a primeira colocação na chave com uma vitória por 2x1 sobre a Dinamarca (gols de Podolski e Bender, com Krohn-Dehli marcando para os dinamarqueses). E a segunda vaga ficou com os portugueses, que venceram a Holanda de virada (Van der Vaart abriu a contagem e Ronaldo marcou os dois gols lusitanos). Os holandeses se despedem da Euro sem conseguir somar um único ponto.

Extraído de Jogada De (E)feito.

Um comentário:

  1. O primeiro tempo, em que vi pouca parte, a Espanha foi dominante. No segundo, a Croácia, como a Itália estava vencendo, teve que partir para cima, e em um contra-ataque levou o gol saindo da Euro 2012.

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