quinta-feira, 1 de março de 2012

Série : A História das Copas - 1954 (parte 5/19)


                Parte 1 - Copa do Mundo de 1930
                Parte 2 - Copa do Mundo de 1934 
                Parte 3 - Copa do Mundo de 1938
                Parte 4 - Copa do Mundo de 1950


   A Copa do Mundo FIFA de 1954 foi a quinta edição da Copa do Mundo FIFA de Futebol, que ocorreu de 16 de junho até 4 de julho. Em comemoração ao 50º aniversário da FIFA, o evento foi sediado na Suíça, onde encontra-se a sede do órgão; o país foi oficialmente selecionado como anfitrião em julho de 1946. Dezesseis seleções nacionais foram qualificadas para participar desta edição do campeonato, sendo 11 delas europeias (Suíça, Hungria, Áustria, Inglaterra, Alemanha Ocidental, Iugoslávia, França, Itália, Tchecoslováquia, Bélgica e Escócia), 3 americanas (México, Brasil e Uruguai) e 2 asiáticas (Turquia e Coreia do Sul).
Poster da Copa do Mundo
Fifa de 1954
   Esta edição foi a que teve a maior média de gols de todas as copas, com 140 gols em 26 partidas, uma média de 5,38 gols por partida.
    Pela primeira vez uma Copa teve cobertura pela televisão, e moedas comemorativas foram cunhadas por causa do evento. A partir dessa Copa, o Brasil passou a usar o uniforme com a camisa amarela e o calção azul. Depois da derrota no Mundial de 1950, o uniforme antigo (camisa branca e calção azul usado desde 1919) foi considerado uma das fontes de azar.
    A fórmula da copa era bastante confusa. Cada grupo tinha dois cabeças de chave que não se enfrentavam, assim como as duas equipes restantes que não se enfrentavam. Assim ao invés de 3 jogos cada, no sistema todos contra todos, relizaram-se apenas 2 jogos por equipe. Os cabeças de chave foram os seguintes:
Grupo 1: Brasil e França
Grupo 2: Hungria e Turquia
Grupo 3: Áustria e Uruguai
Grupo 4: Inglaterra e Itália


Primeira fase
A Hungria, pelo Grupo B, aplicou na 1ª fase duas goleadas históricas,uma sobre a fraca Coréia do Sul por 9 a 0 e a outra sobre nada mais, nada menos do que a Alemanha Ocidental, 8 a 3. Turquia e Alemanha Ocidental então tiveram que jogar o desempate pois terminaram empatados em pontos. A partida foi vencida pelos alemães com facilidade. O técnico Sepp Herberger colocou o time reserva em campo contra os húngaros, pois assim absorveria melhor uma mais que provável derrota e pouparia seus comandados.
Pelo Grupo A, o do Brasil, ocorreu um episódio bastante curioso. Brasil e Iugoslávia venceram seus primeiros compromissos (Brasil 5 a 0 contra México e Iugoslávia pela contagem simples sobre a França) e o empate garantia ambos na fase seguinte. Acontece que os jogadores do Brasil não conheciam o tal regulamento e atacavam insistentemente a meta iugoslava, com os jogadores eslavos fazendo gestos aos brasileiros pelo empate que beneficiaria os dois. Ao final do jogo alguns brasileiros choravam e apenas posteriormente a situação foi esclarecida. Tanto brasileiros como iugoslavos se classificaram à fase seguinte.
No grupo C, Áustria e Uruguai classificaram-se sem problemas. A Celeste Olímpica ganhou da Tchecoslováquia por 2 a 0 e da Escócia por 7 a 0.uma curiosidade é que ,insatisfeito com as intromissões da comissão técnica no seu trabalho, o técnico da Escócia Andy Beattie pediu demissão logo após a derrota para a Áustria. A Áustria também passa fácil com 1 a 0 na Escócia e 5 a 0 na Tchecoslováquia. No Grupo D, o English Team tenta se refazer do desastre de 50, sua estréia em copas. Empata em um jogo espetacular com a Bélgica por 4 a 4 e ganha da Suíça por 2 a 0. Suíça e Itália duelariam duas vezes no grupo. Na primeira partida os helvéticos venceriam por 2 a 1 num jogo muito conturbado e de uma arbitragem bastante controversa do brasileiro Mario Vianna. As equipes se enfrentariam novamente, e no jogo desempate a Suíça vence por 4 a 1. Chega as Quartas de Final.
Fase final
O Brasil foi a vítima magiar nas Quartas. Uma verdadeira batalha campal em Berna e Hungria vence por 4 a 2. Áustria e Suíça fazem o jogo com maior número de gols da história dos mundiais: Áustria 7 x 5 Suíça. A Alemanha Ocidental   a Iugoslávia por 2 a 0 e o Uruguai atropela a Inglaterra por 4 a 2.
Numa das semifinais tivemos a Áustria encarando a equipe da República Federal da Alemanha, uma das três nações alemãs da época. O time da RFA se classificou batendo os alemães da região do Sarre, ocupado pela França, enquanto a Alemanha Oriental não se inscreveu para a Copa. Com a final em jogo, a equipe alemã bateu a austríaca por 6 a 1. Destaque para os irmãos Fritz e Ottmar Walter, que, com passes rápidos, levaram sempre perigo ao gol austríaco.
Seleção Alemã campeã da Copa de 1954
Na outra semifinal, tivemos um dos mais interessantes jogos do torneio, onde a Hungria liderava sobre o Uruguai ao final do primeiro tempo por 1 a 0. Mas ao final dos noventa minutos o placar apontava 2 a 2, levando a partida a prorrogação. A igualdade foi quebrada por Sándor Kocsis, que marcaria dois gols no tempo extra e assim levando a Hungria a final, derrotando um time que jamais havia perdido um jogo de Copa do Mundo. O Uruguai sofreria sua segunda derrota ao ceder o terceiro lugar aos austríacos por 1x0.
Final: "O Milagre de Berna"
O Wankdorf Stadium em Berna recebeu 60.000 pessoas se espremerem para acompanhar a partida final entre Alemanha Ocidental e Hungria, uma repetição do jogo da primeira fase.
Na final se viu Ferenc Puskás atuando mesmo não estando em sua melhor forma. Ainda assim ele colocou seu time à frente do placar em apenas 6 minutos de jogo, e com Zoltán Czibor fazendo outro tento dois minutos depois parecia que os favoritos realmente levariam o título. Porém, com um rápido gol de Max Morlock no décimo minuto, e Helmut Rahn empatando aos 19, a maré começou a virar.
Jogadores alemães comemoram a conquista da
Taça Jules Rimet
No segundo tempo a Hungria desperdiçou diversas chances. Mas, nervosos não conseguiram nada. Os alemães praticamente "cozinharam" o jogo a seu favor, e acabariam premiados. A meros seis minutos do final da partida, o popular narrador do rádio alemão Herbert Zimmermann fez sua mais memorável declaração ao dizer: "Rahn deveria chutar do meio da rua" (em alemão: "aus dem Hintergrund müsste Rahn schießen"), e assim foi. O segundo gol de Rahn, que chutou da meia-lua da área, após a zaga húngara afastar mal a bola, deu a liderança da partida aos alemães. Depois, Puskás ainda teve um gol impedido.
Aos alemães foi entregue a Taça Jules Rimet e o título de vencedores da Copa do Mundo com a torcida cantando junto o hino nacional alemão. Na Alemanha, esta partida é conhecida como o Milagre de Berna. Um filme baseado na história foi lançado em 2003. Para os húngaros, a derrota foi um desastre.
Curiosidades
  Sem falar nenhuma palavra em inglês, francês ou alemão, os jogadores da Coreia do Sul ficavam literalmente perdidos na Suíça e recebiam ajuda de policiais suíços, após os jogos.
   Juan Holberg, do Uruguai, fez o gol de empate contra a Hungria na semifinal, aos 41min do segundo tempo (2 a 2), e desmaiou de emoção. Na prorrogação, porém, a Hungria se recuperou e venceu por 4 a 2.
   Após a Copa, os alemães que teriam usados estimulantes foram direto para uma clínica de repouso.
    A Copa de 1954 teve a maior média de gols por jogo da história dos Mundiais: 5,38 (140 gols em 26 jogos).
     Com um ataque poderoso, a Hungria fez 27 gols em cinco jogos do Mundial de 1954: a maior média de uma seleção em uma Copa do Mundo (5,2 por partida).
O Artilheiro 
Sandor Kocsis
Kocsis, húngaro artilheiro da Copa
de 1954 com 11 gols 
Aos 25 anos, o húngaro Sandor Kocsis marcou 11 gols e foi o maior artilheiro da Copa da Suíça. Especialista no jogo aéreo, ganhou o apelido de "Cabeça de Ouro". Ao lado de Puskas, Bozsik, Hidegkuti e Czibor, formava a base da famosa seleção da Hungria dos anos 50. Nascido em Budapeste, atuou nos principais clubes da Hungria. Em 1956, após a invasão de Budapeste por tropas soviéticas, Kocsis deixou o país. Passou pelo futebol suíço antes de chegar ao Barcelona, onde permanceu até o fim da carreira, aos 37 anos. 
    

Um comentário:

  1. Este jogador Puskas recebeu uma homenagem tendo um prêmio na FIFA com seu nome, estou certo?

    Realmente esta vitória da Alemanha para mim foi uma das maiores zebras dos Mundiais.

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