sexta-feira, 2 de março de 2012

Olhar tático: Mágica luso-brasileira


No último domingo, dia 26 de fevereiro, o Fluminense se sagrou campeão do primeiro turno do Campeonato Carioca, a Taça Guanabara. Com uma campanha (e um início de ano) muito irregular o Fluminense dependeu do Vasco para passar da fase de grupos e, na final, arrasou o mesmo Vasco.

Esse Fluminense já havia atuado bem em 2011, mas em 2012 ainda não. A final foi a primeira grande atuação do ano. O time foi, praticamente, perfeito. Veloz, elegante e decisivo! 

Mas (literalmente) no meio desse show estava Deco. O camisa 20 foi o maestro do time com "M" maiúsculo! O craque circulou, armou, fez golaço e foi, simplesmente, o jogador que mais correu em campo. Muita coisa para um jogador de 34 anos? Depende do jogador. É exatamente o que Mágico luso-brasileiro sabe fazer.

Desde a saída de Conca o Fluzão não tinha um grande meia-armador. Wagner e Thiago Neves são bons, mas não são craques. Deco é, na minha opinião, ainda melhor que Conca. Só perdia para o argentino por ele ser mais jovem. 

Falando diretamente do Fluminense, agora. Desde o fim do ano passado que o Tricolor vem sendo uma das melhores equipes do Brasil. Deco já era chave daquele time.

4-3-1-2 dinâmico era a cara do time: os laterais jogavam soltos apoiando o ataque frenquentemente; Diguinho e Edinho jogavam mais atrás na marcação com poucas subidas do camisa 8; Marquinho alternava na esquerda fazendo o time se moldar para um 4-2-3-1 a medida que ele avançava; Fred e Sóbis jogavam na frente próximos um ao outro e Deco articulava à frente dos volantes.

Esse time conquistou o título simbólico do segundo turno do Brasileirão 2011. Fred era o principal jogador por ser absolutamente decisivo, mas Deco já era chave: vinha de atrás, mas chegava próximo aos atacante dando o último passe. O time funcionava de forma brilhante! Mas as atuações não se repetiram em 2012 mesmo com a base mantida com os ótimos reforços. 

Começou o Cariocão alternando o time B com o titular e, quando vencia, não convencia. Faltava organização. Wagner jogava mais aberto pela esquerda, mas sem fazer nenhuma jogada de profundidade. Sóbis também não faz o tipo de jogador de velocidade, ele é um segundo atacante que joga próximo da área. Com a saída de Marquinho o time também não conseguia voltar para a formação anterior e continuavam presos nesse 4-2-3-1 "torto".

4-2-3-1 "torto" utilizado pelo time titular de  Abel Braga nesse início de ano: sem velocidade, jogadas de linha de fundo e organização o Fluminense já não era mais o mesmo do fim de 2011.

Foi nesse esquema acima que o Fluminense estreou na Libertadores contra o Arsenal de Sarandí. O jogo parecia que seria um show do Fluminense que com dois minutos de jogo abria o placar com o decisivo camisa 9, Fred. Naquela partida ninguém funcionou: Wagner nem era meia nem ponta, Sóbis voltava muito, mas com pouca agilidade e movimentação e a bola pouco chegava em Fred. Bem, o Fluminense ganhou por causa de um brilho de um minuto do Fred, mas não fez nada mais nada em campo! Se desorganizou e pouco criou. Só um jogador se salvou: Deco. 

O portuga, mais uma vez, foi o maestro do time: circulou a área buscando espaços para criar, voltava para recuperar a bola e dá firmeza na saída de bola e tentou de aproximar do ataque. Infelizmente, a equipe estava pouco inspirada e mesmo com o brilho de Deco não jogou bem. 

O que faltou naquele dia sobrou no domingo passado! O apático Fluminense que recebeu o Arsenal no Engenhão não marcava, não corria e tinha um quarteto "paralítico". Exatamente, a falta de mobilidade e movimentação pesou na força ofensiva da equipe. Sóbis e Wagner se guardavam muito em suas respectivas posições e com isso o time não impactava em nada o adversário.

Na trágica fase de grupos do time Wellington Nem se mostrou útil. A velocidade do jovem camisa 18 caiu como uma luva no ataque do Fluminense. Sua arrancada e habilidade para dribles, além da boa finalização, deu a força que o quarteto necessitava. Além dele, Thiago Neves tomou a vaga do Wagner (o que não foi nenhuma surpresa para mim porque o considero melhor que o camisa 19) e tem sido muito mais preciso naquela posição.

4-2-3-1 brilhante usado na melhor exibição do Fluminense no ano! 

Contra o Vasco essa tática brilhou! Wellington Nem e Thiago Neves inverteram os lados para que o primeiro auxiliasse na marcação por pressão do lado esquerdo. Fred também se sentiu mais à vontade e voltou a dar a show na peque área. Mas além desses três Deco embalou. Com um time sonolento e "imóvel" ele já brilhava, imaginem encontrando um quarteto veloz e efetivo. Deu no que deu.

O Fluminense parece ter encontrado a tática ideal. Há tempos vejo esse time como um dos (senão o) favoritos do Brasil para a Libertadores. O elenco já era bom! A tática é ótima! E o Deco é craque!  

Um comentário:

  1. O Fluminense tem um excelente elenco, basta somente o Abel usar as opções que tem com inteligência.

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